Senador diz que, em 33 anos, Ferrovia Norte-Sul “nunca transportou nada”

Recentemente o senador Ronaldo Caiado (DEM/GO) postou em sua página do Twitter alguns comentários rasos sobre a situação da infraestrutura de transportes no Brasil, durante uma audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, ocorrida no final de março.

Segundo Caiado, a Ferrovia Norte-Sul “existe há 33 anos e nunca transportou nada”. O empreendimento, cujas obras ainda não terminaram, tem uma licitação entre Porto Nacional (TO) a Estrela D’Oeste (SP) que está para ser publicada nos próximos meses.

Ele ainda vai um pouco além, afirmando que a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), de Ilhéus a Caetité, na Bahia, virou “ficção”. O parlamentar considera que ambos os projetos são “pontos nevrálgicos” para o setor ruralista de Goiás. Em termos médicos, o “ponto nevrálgico” é uma região específica dolorida do nervo; ou, no jargão popular, uma potencial dor de cabeça, possível fonte de problema de alguma questão, etc.

Aos fatos

A Ferrovia Norte-Sul possui os seus imbróglios largamente divulgados pela grande imprensa, e contra isso não há contestação. Porém, em 2008, a estatal VALEC concedeu o trecho entre Açailândia e Palmas, no Tocantins, para a mineradora Vale. Posteriormente, a concessão foi repassada para a subsidiária VLI (antiga Ferrovia Centro-Atlântica).

Trem da concessionária VLI, que opera na Ferrovia Norte-Sul. Foto: Divulgação

O trecho entre Porto Nacional e Anápolis, em Goiás, está pronto, porém ainda não foi construído um terminal operacional ao longo dos 855 km de trilhos. Quando concluída, terá 4.155 quilômetros de extensão, cortando os estados de Pará, Maranhão, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tem realizado dois grandes esforços para destravar as ferrovias brasileiras: as renovações antecipadas das cinco concessões de carga existentes e a licitação da EF-151 entre Porto Nacional e Estrela D’Oeste, conforme mencionado. Ambas as frentes estão sendo capitaneadas por Alexandre Porto, superintendente da ANTT.

Hoje, a EF-151 opera entre Porto Nacional e Açailândia carregando basicamente soja (55%), celulose (25%) e combustíveis (10%), o que comprova a sua não-ociosidade. A declaração do senador Ronaldo Caiado, portanto, é falsa.

 

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